A Nvidia divulgou os resultados do primeiro trimestre do seu ano fiscal de 2027 com receita total de US$ 81,6 bilhões, contra US$ 44,1 bilhões um ano antes. A divisão de data center, que concentra a venda de GPUs para IA, somou US$ 75,2 bilhões — alta de 21% sobre o trimestre anterior e de 92% na comparação anual, com lucro líquido de US$ 58,3 bilhões. A empresa também reorganizou o reporte do setor em dois blocos: clientes hyperscale (grandes provedores de nuvem e plataformas de internet) e o segmento que chama de ACIE, voltado a nuvens de IA, indústria e empresas, cada um respondendo por cerca de metade da receita.
A aposta na inferência com a plataforma Rubin
Junto aos resultados, a Nvidia apresentou a plataforma Rubin, composta por seis novos chips e prometida com até 10 vezes de redução no custo por token de inferência em relação à geração Blackwell. Segundo a empresa, Amazon Web Services, Google Cloud, Microsoft Azure e Oracle estarão entre os primeiros a oferecer instâncias baseadas em Rubin.
Grace Blackwell com NVLink é o rei da inferência hoje, entregando custo por token uma ordem de grandeza menor, e o Vera Rubin vai ampliar essa liderança ainda mais.
Jensen Huang, CEO da Nvidia
Recompras, dividendos e a corrida da Meta
A Nvidia devolveu cerca de US$ 20 bilhões a acionistas no trimestre, o conselho aprovou mais US$ 80 bilhões em recompras e o dividendo trimestral subiu de US$ 0,01 para US$ 0,25 por ação; a companhia ainda firmou parceria plurianual com a Meta envolvendo CPUs, redes e milhões de GPUs Blackwell e Rubin. Para o Brasil, o ponto central está no custo por token: o preço que provedores cobram por consultas de IA acompanha o custo de operar essas máquinas. Se a promessa da Rubin se confirmar em produção, há espaço para que serviços de IA fiquem mais baratos — relevante para empresas locais que hoje veem câmbio e preço de API como barreiras. O risco oposto existe: a demanda só se sustenta se os clientes da Nvidia continuarem gastando, e parte desse gasto ainda não virou lucro.