Ascenty investe US$ 1,2 bilhão em quatro data centers de IA no Brasil

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Ascenty investe US$ 1,2 bilhão em quatro data centers de IA no Brasil

A Ascenty, joint venture entre a americana Digital Realty e a Brookfield Infrastructure, anunciou investimento de US$ 1,2 bilhão para construir quatro novos data centers no Brasil. Os projetos vão adicionar 150 MW de capacidade contratada — equivalente a 40% de tudo o que a empresa construiu em seus 15 anos de operação — e elevam o portfólio projetado a 40 unidades. O carro-chefe é o Sumaré 3, descrito como o primeiro grande data center do país concebido desde o início para aplicações de IA: terá 90 MW iniciais, possibilidade de mais 90 MW e 48 mil metros quadrados, com obra iniciada em março de 2026 e entrega prevista para o terceiro trimestre de 2027.

Refrigeração líquida e densidade de IA

O projeto reflete as exigências técnicas das cargas de IA. O Sumaré 3 usará exclusivamente refrigeração líquida e suportará de 60 kW a 1 MW por rack, contra cerca de 8 kW de sistemas convencionais. Dos 90 MW iniciais, 60 MW já estão contratados por um cliente global de tecnologia não identificado, em modelo de inquilino único.

  • Investimento: US$ 1,2 bilhão (capex total de 2026 chega a US$ 1,5 bi)
  • Capacidade: 150 MW em quatro novos data centers
  • Sumaré 3: 90 MW iniciais, 600 empregos na construção e 120 permanentes
  • 60 MW já contratados em modelo de inquilino único

Energia é o gargalo, e a regra fiscal está indefinida

O Brasil vem se firmando como destino de investimento em data centers de IA na América Latina, com a maior concentração em São Paulo, mas enfrenta dois entraves. O primeiro é energia: a disponibilidade de carga elétrica virou o principal limitador desses projetos, e o Paraguai tenta atrair os mesmos investidores com a energia barata de Itaipu. O segundo é regulatório: o programa Redata, criado em setembro de 2025 por medida provisória para atrair infraestrutura digital, perdeu validade em fevereiro de 2026 sem ser votado no Congresso, deixando os incentivos dependentes de um projeto de lei. Atrair data centers de IA significa empregos e capacidade de processamento local — mas, sem definição sobre energia e tributos, o país compete em desvantagem na corrida regional.

O nosso prisma

Enquanto as manchetes globais falam de modelos, a disputa real no Brasil é por energia e refrigeração: o que define quem hospeda a IA local não é o software, e sim quem consegue ligar 150 MW na tomada.

Fontes: BNamericas · Data Center Dynamics · I Squared Capital / Elea (Business Wire)

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