A Anthropic, criadora do assistente Claude, anunciou em 28 de maio a captação de US$ 65 bilhões em sua rodada Série H, a uma avaliação pós-investimento de US$ 965 bilhões. Com isso, a empresa passa a ser a startup de inteligência artificial mais valiosa do mundo, à frente da OpenAI, cuja última marca privada foi de US$ 852 bilhões. A rodada foi liderada por Altimeter Capital, Dragoneer, Greenoaks e Sequoia Capital, com participação de fundos como Capital Group, Coatue, GIC e ICONIQ.
O salto de avaliação é o que chama atenção. Em fevereiro, a Série G havia precificado a Anthropic em US$ 380 bilhões. Em pouco mais de três meses, o número quase triplicou — uma das re-avaliações privadas mais rápidas já registradas no setor.
O número de receita pede contexto
A Anthropic afirma que sua receita anualizada (run-rate) ultrapassou US$ 47 bilhões em maio, partindo de cerca de US$ 1 bilhão no início de 2025. É um crescimento expressivo, mas vale entender a métrica: run-rate normalmente é o faturamento de um único mês multiplicado por doze, não receita anual auditada. A trajetória é sólida; o valor exato deve ser lido como projeção, não como balanço fechado.
- Início de 2025: ~US$ 1 bilhão anualizado
- Fevereiro de 2026 (Série G): US$ 14 bilhões, a US$ 380 bi de avaliação
- Maio de 2026 (Série H): US$ 47 bilhões, a US$ 965 bi de avaliação
Segundo a própria empresa, os recursos vão para pesquisa de segurança e interpretabilidade, ampliação de capacidade computacional e expansão de produtos; a rodada é descrita como possivelmente a última captação privada antes de uma abertura de capital. O Claude é uma das ferramentas mais usadas por empresas e desenvolvedores brasileiros, e avaliações desse porte sinalizam que o custo de modelos de fronteira tende a seguir atrelado a empresas que precisam justificar centenas de bilhões em capital — o que mantém pressão sobre preços de API e reforça o interesse em alternativas abertas e provedores locais. Para quem depende dessas plataformas, acompanhar a sustentabilidade financeira dos fornecedores deixou de ser detalhe técnico.