Em 11 de junho de 2026, o Nubank apresentou de forma estruturada sua estratégia de inteligência artificial. A mensagem central, repetida pelos executivos e pelo fundador David Vélez, é de que a empresa não pretende apenas acoplar ferramentas de IA aos processos existentes, mas redesenhar a operação do banco em torno da tecnologia. É uma distinção que vale registrar: adotar IA significa adicionar copilotos e assistentes a fluxos já existentes; transformar significa refazer esses fluxos partindo do princípio de que a máquina pode executar boa parte das tarefas.
O que é o nuFormer
No centro do anúncio está o nuFormer, um modelo fundacional proprietário, treinado de forma autossupervisionada com os dados históricos do banco. O Nubank afirma que esse modelo permite estender crédito com mais segurança a clientes que ficariam de fora de modelos menos granulares — argumento que conecta inclusão financeira a crescimento de receita. A empresa também desenvolve o chamado AI Private Banker, um conjunto de recursos para ajudar clientes a organizar finanças, administrar dívidas e tomar decisões de crédito, funcionalidades que, segundo o banco, já estão em teste e somam mais de 15 milhões de usuários ativos mensais.
- Modelo fundacional próprio (nuFormer) treinado com dados históricos do banco
- AI Private Banker: aconselhamento financeiro automatizado para a base de clientes
- Base de cerca de 135 milhões de clientes e mais de uma década de dados
- Talento de IA reforçado pela aquisição da Hyperplane, em 2024
A motivação é receita por cliente
O pano de fundo financeiro é explícito. O Nubank citou uma receita média por cliente ativo na casa de US$ 16 no primeiro trimestre de 2026, contra patamares próximos de US$ 40 em bancos tradicionais. A aposta é que personalização, venda cruzada e o consultor financeiro por IA ajudem a fechar essa diferença. Em outras palavras, a IA não é apresentada como vitrine tecnológica, e sim como a alavanca para monetizar melhor uma base já enorme.
Não estamos adicionando IA ao sistema financeiro; estamos reconstruindo o sistema financeiro em torno da IA.
David Vélez, fundador do Nubank
Vale a cautela jornalística: muito do que foi apresentado ainda é estratégia e teste, não resultado consolidado. Modelos proprietários de crédito prometem inclusão, mas também concentram decisões sensíveis em sistemas automatizados — exatamente o tipo de uso que a regulação brasileira de IA, em discussão na Câmara, classifica como de alto risco. O que o Nubank entregar nos próximos trimestres dirá se o discurso de transformação se traduz em produto e em receita.