O iFood detalhou no início de junho de 2026, durante a Semana de Produtos do Itaú, como tem incorporado inteligência artificial às decisões de produto. O ponto mais concreto é o Tocan, plataforma interna em que funcionários montam agentes especializados para questionar ideias antes de elas avançarem. Em vez de apenas acelerar tarefas, esses agentes confrontam hipóteses contra dados de mercado, histórico da empresa e métricas internas — funcionam como um revisor cético embutido no processo.
Uma plataforma para padronizar o uso
Por trás disso há uma plataforma de IA generativa proprietária que centraliza o acesso a diferentes modelos, incluindo opções da OpenAI, da Anthropic e do Google, além de modelos próprios. A justificativa é de governança: em vez de cada time integrar ferramentas por conta própria, a empresa concentra políticas de segurança, atualizações e padrões de uso. Pablo Silva, sócio e head de produto do iFood, resumiu a lógica de adoção da empresa.
A gente primeiro pergunta qual é o problema. Depois decide qual ferramenta usar.
Pablo Silva, head de produto do iFood
Escala e modelos próprios
- Processa entre 130 e 160 milhões de pedidos por mês
- Dezenas de milhares de agentes internos criados por funcionários
- Sistema de orquestração que direciona pedidos ao agente adequado
- Modelos próprios como o Large Commerce Model (LCM) e o assistente Rose
O caso do iFood interessa por um motivo que vai além do delivery: é uma das maiores implementações corporativas de IA do Brasil, com uso disseminado entre milhares de funcionários e não restrito a um time de inovação. Isso ajuda a entender como a tecnologia chega à operação real de uma empresa brasileira de grande porte — com plataforma centralizada, orquestração de agentes e dependência simultânea de fornecedores estrangeiros e de modelos próprios.
Ainda assim, convém separar o que é processo do que é resultado. Agentes que contestam ideias podem reduzir vieses e apostas ruins, mas também podem reforçar o histórico da própria empresa e desencorajar apostas fora da curva. O efeito líquido sobre a qualidade das decisões só aparece com o tempo, e a companhia não divulgou métricas independentes que permitam medi-lo.