Os Estados Unidos chegaram a 30 estados com leis para regular deepfakes em eleições, segundo levantamento da organização Public Citizen, às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro. O marco mais recente veio de Maryland: a lei SB 141, sancionada pelo governador Wes Moore, entrou em vigor em 1º de junho de 2026 e tornou o estado o 30º a adotar esse tipo de proteção.
Como as regras variam
- Alguns estados exigem aviso ("disclaimer") em conteúdo político gerado por IA.
- Outros restringem mídia sintética enganosa perto do pleito, criam remédios civis ou dão a autoridades eleitorais o poder de emitir correções.
- Há ainda penalidades para quem distribui conscientemente conteúdo falso.
A pauta tem atravessado linhas partidárias: nos estados onde passou, a legislação recebeu apoio bipartidário. Ainda assim, algumas medidas enfrentam contestações constitucionais sob o argumento de liberdade de expressão.
Vácuo federal
O Congresso americano ainda não aprovou uma lei específica para proibir deepfakes que enganem eleitores. A principal ação federal no tema mira outra preocupação: o TAKE IT DOWN Act, sancionado em 19 de maio de 2025, primeira lei federal voltada a deepfakes íntimos não consensuais. A tendência para 2026, segundo especialistas, é ampliar a responsabilização para além de quem cria e distribui, alcançando plataformas de IA generativa, processadores de pagamento e provedores de hospedagem.
Para o Brasil, o tema é urgente: o TSE editou normas sobre uso de IA em campanha, e o avanço — ou os tropeços — das leis estaduais americanas oferece um repertório concreto de o que funciona e o que esbarra na liberdade de expressão. A lição central é que disclaimers e prazos próximos ao pleito são o terreno mais disputado, justamente onde a Justiça eleitoral brasileira terá de calibrar a régua.