A Enter, startup brasileira de tecnologia jurídica baseada em inteligência artificial, anunciou no início de maio de 2026 uma rodada Series B de cerca de US$ 100 milhões, que levou seu valuation a US$ 1,2 bilhão. Com isso, a empresa passou a ser apresentada como o primeiro unicórnio de IA da América Latina. A rodada foi liderada pela Founders Fund, gestora ligada a Peter Thiel, com participação de Sequoia Capital e Ribbit Capital, entre outros.
O que a Enter faz
A empresa atua na automação de processos judiciais, sobretudo em demandas de consumo e trabalhistas. A proposta é que cada etapa do processo passe primeiro por um agente de IA antes de envolver um profissional humano. Segundo a startup, sua base de clientes inclui empresas de grande porte e o volume de casos que passam pela plataforma chega a centenas de milhares por ano — um número que ganha sentido diante de um país que começou 2026 com cerca de 80 milhões de processos ativos, distribuídos por dezenas de tribunais com sistemas e formatos distintos.
- Valuation de US$ 1,2 bilhão após a rodada Series B
- Aporte de cerca de US$ 100 milhões liderado pela Founders Fund
- Foco em demandas de consumo e trabalhistas
- Modelo em que agentes de IA atuam antes da revisão humana
Por que importa para o Brasil
O caso da Enter sintetiza tendências do ecossistema brasileiro: capital internacional de peso, fundadores com passagem por empresas de tecnologia e um problema local volumoso — o contencioso de massa — como matéria-prima. O Judiciário brasileiro, com dezenas de milhões de processos e baixa padronização entre tribunais, é um terreno fértil para automação. É também onde os riscos aparecem com mais nitidez.
Automatizar etapas de processos judiciais não é o mesmo que automatizar respostas de chatbot. Erros, alucinações de modelos e decisões automatizadas em massa têm consequências jurídicas concretas para pessoas e empresas. Vale acompanhar como esse tipo de aplicação se encaixa na regulação de IA em discussão no Congresso, que tende a classificar usos ligados à Justiça como de risco elevado, e quanto da supervisão humana prometida se sustenta na prática à medida que o volume cresce.